Pais Desportivos

Desde há algum tempo que investigadores na área do desporto e da psicologia do desporto se têm interessado pela influência que o envolvimento dos pais poderá ter na prática desportiva (Brustad, Babkes, & Smith, 2001; Horn & Horn, 2007). Investigações realizadas nos últimos 20 anos (e.g., Alves & Serpa, 2007; Barreiros & Serpa, 2005; Bloom, 1985; Côté, 1999; Gould, Dieffenbach, & Moffett, 2002; Gouveia & Serpa, 2008; Durand-Bush & Salmela, 2002), demonstram que o suporte parental é essencial para o processo de desenvolvimento da perícia no desporto seja eficaz. Segundo Monsaas (1985), sem o suporte parental nas primeiras experiências desportivas, este terá muitas dificuldades em atingir o seu verdadeiro potencial.

Apesar de tudo, o papel parental e todo o seu envolvimento ainda não é verdadeiramente claro. Segundo Fredricks & Eccles (2005), o envolvimento parental tem sido definido basicamente como a representação de um conjunto variado de atitudes, crenças e comportamentos que influenciam a prática desportiva da criança, tais como as expectativas acerca do sucesso do filho.

Teques, P. & Serpa, S. (2010), realizaram um estudo com o objetivo de analisar as diferenças entre as características do envolvimento de pais de talentos e de não talentos em futebol. Um inventário constituído por doze escalas independentes (α de Cronbach entre .69 e .93) foiadministrado a 162 pais e mães de crianças e jovens praticantes de futebol de vários níveis competitivos. Chegaram a várias conclusões:

  • para os pais de talentos a percepção das invocações oriundas do treinador, da instituição e do jovem atleta parecem ser asvariáveis que mais contribuem para o envolvimento;
  • para os pais dos não talentos a dimensão do contexto vivencial relacionado com o tempo e energia, bem como os conhecimentos e competências, constituem as variáveis que mais contribuem para as suas actividades de envolvimento;
  • para os pais de talentos, as relações sociais estabelecidas com os filhos, treinador e instituição desportiva constituem o principal factor de suporte para o seu envolvimento;
  • para os pais de não talentos, as variáveis de cariz mais instrumental parecem ser mais importantes na decisão para o envolvimento. Por um lado, as percepções da disponibilidade de tempo e energia, particularmente relacionadas com as exigências laborais e outras responsabilidades familiares e, por outro lado, a percepção dos conhecimentos e competências necessários para influenciar positivamente as experiências desportivas dos filhos.

Em 2001, António Rui Gomes publicou um artigo científico com o objetivo de apresentar a estrutura de uma reunião realizada com pais de jovens atletas integrados em escalões de formação de qualquer modalidade desportiva.

Quais foram os objetivos desta reunião?

  • Abertura de canais de comunicação entre pais, treinadores, dirigentes e psicólogos;
  • Compreensão por parte dos pais, do significado e importância do desporto juvenil;
  • Perceber o contributo do desporto no desenvolvimento físico, psicológico e social dos jovens;
  • Sensibilização dos pais para atitudes e comportamentos que promovam o crescimento e desenvolvimento psicológico dos seus filhos.

Passados 15 anos, podemos dizer que estes objetivos foram alcançados? A minha (curta) experiência como treinador de formação leva-me a dizer que sim, foram alcançados. Vejo cada vez mais uma excelente relação treinadores-pais-atletas. Existe compreensão por parte dos pais de que o desporto é cada vez mais fundamental no desenvolvimento das crianças. É notório que os pais percebem que o tempo perdido em levar os filhos aos treinos, assistir a esses mesmos treinos, assistir aos jogos, não é “tempo perdido” mas sim tempo investido na formação das crianças não só como atletas mas também como futuros Homens desta sociedade cada vez mais moderna e exigente.

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