É possível ler o futebol apenas pelos números?

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Somos confrontados a toda a hora, durante todos os dias e mesmo fora da época desportiva, com números e mais números. Estatísticas individuais, coletivas e das competições. Estuda-se quem corre mais, quem passa mais, melhor e para onde, os índices físicos e muito mais.

As equipas técnicas, mesmo de clubes com menores recursos e a participar em competições menos formais, têm à disposição um conjunto enorme de dados. E aqui existem treinadores que tomam mais ou menos decisões a partir dos dados estatísticos que são gerados pelos seus jogadores e/ou fornecidos pelas diversas ferramentas.

Mesmos aqueles que gostam de ver o desporto e o futebol de um modo mais apaixonado também se agarram aos números. A verdade é que todos nos agarramos. Quem marca mais. Quem defende mais. Em termos coletivos, tudo serve para comparar e hierarquizar uma equipa à frente da outra. E se os treinadores assumem explicitamente que tomam decisões de acordo com os sentimentos, experiência, o tal feeling, também gostam de diminuir esse erro subjetivo da análise de uma situação através da intuição ou dedução com o recurso aos dados estatísticos.

A questão é saber, se é que podemos ter uma resposta quantitativa, qual o peso dos números no futebol hoje durante a gestão e o treino de uma equipa?

Quantas decisões tomadas por parte de uma equipa técnica ou do treinador principal surgem considerando os dados que lhes são fornecidos na hora ou durante a preparação de um jogo?

A tomada de decisão é semelhante com ou sem dados estatísticos.

Estudos sobre a tomada de decisão do ser humano indicam-nos que o processo é muito semelhante antes e após receber informação relevante. Talvez porque a emoção se sobreponha muito à razão nestas questões, ou porque os técnicos dão muito valor às crenças e sentimentos na hora de uma decisão e aí estas levem a melhor sobre os  dados estatísticos.

A utilização de números e estatísticas requer, até mais do que bons números, duas necessidades: estar predisposto para receber e utilizar dados quantitativos; e saber ler esses mesmos dados.

“Mais do que ter milhares de dados é importante ter e saber ler aqueles que nos podem interessar”

Não nos parece que as estatísticas e dados quantitativos sejam suficientes para tomar boas decisões. Nem no futebol nem em muitos outros campos. São um instrumento relevante? Sim, mas mais do que ter à nossa disposição milhares de dados, é mais importante ter e saber ler aqueles que nos podem interessar para as decisões que temos de tomar.

José Mourinho, Pep Guardiola, Rui Vitória, Jorge Jesus, Claudio Ranieri… É visível que todos eles recebam de um modo filtrado um conjunto de informações que geradas após a utilização de dados quantitativos.

Também é verdade que às vezes informem alguns destes treinadores que o jogador X está com melhores resultados em determinados indicadores importantes que o jogador Y, e que os mesmos, paradoxalmente, continuem a optar pelo que apresenta piores índices. Porquê? Só a cabeça de um técnico pode ter a resposta, embora possamos especular, com algum grau de certeza, que ainda há muita informação num jogador, equipa e treinador longe de ser captada por estatísticas.

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